terça-feira, 25 de agosto de 2015

Mitologia Nórdica, 1- A vida após a morte, O Caminho do Guerreiro:

"Basicamente as concepções de vida após a morte são divididas em torno de dois grandes espaços: os que morrem em batalhas, indo para o palácio do Valholl juntar-se às valquírias e ao deus Odin; e de outro lado, os que morrem de doenças, velhice ou acidentes e vão para os subterrâneos do reino de Hel. Também existem algumas variações: algumas fontes relatam que as mulheres virgens iriam para o palácio de Gefyon, outras, que elas dirigiam-se para o de Freyja. Escravos e fazendeiros seriam destinados ao reino de Thor". (LANGER, 2009, p. 134). 

Podemos concluir que, esse assunto será grande e vou dividido em 5 partes, ou simplesmente, cinco caminhos. 


1- O Caminho do Guerreiro:

Pelo fato dos Aesir serem divindades relacionadas a guerra, a força, ao governo, ao poder, a coragem, etc., além de serem os principais deuses cultuados, a ideia era que se os deuses eram guerreiros, logo, teria-se que ter honra para poder se unir a eles. Numa sociedade guerreira como a viking, os feitos no campo de batalha conotavam seu respeito e mérito perante seus pares. A religião era um reflexo dessa cultura, pois durante os banquetes realizados nos hall (salão), onde se colocavam longas mesas e bancos, onde os homens se sentavam para comer, beber, conversar e cantar; quanto mais próximo você estivesse do líder, mais respeito você tinha. Os lugares mais distantes, eram para os guerreiros de menor respeito. Tal condição se reflete na vida após a morte. 

Dos 13 palácios dos deuses que havia em Asgard, o mais importante era o Palácio Valhala, o qual pertencia a Odin, o rei dos deuses. O imenso palácio é descrito possuindo centenas de portas, e sendo habitado por centenas de pessoas (Snorri fala que Valhala tinha 540 portas e moravam 800 pessoas). Pois, era o local para onde os mais valorosos e honrados guerreiros iam quando morressem. O palácio era adornado com bastante riqueza. Haviam salas com tetos de ouro ou prata, joias, peles, tapeçarias, estátuas, armas adornadas, escudos, cotas de malha, etc. Dizia-se que também havia muitas águias e lobos. Ambos animais eram sagrados para estes povos e estavam relacionados ao campo de batalha. 


Quando os bravos e honrados guerreiros morriam no campo de batalha, as Valquírias eram enviadas para irem buscar as almas destes valorosos homens. A palavra valquíria significava algo como "as que escolhem aqueles que vão morrer". As valquírias que eram várias irmãs, sendo estas filhas de Odin, cavalgavam em cavalos brancos até Midgard, para escolherem os guerreiros que seriam levados para Asgard. 

"Parece que, originalmente, as Valquírias eram ferozes espíritos femininos servidores do deus da guerra, que se deliciavam com o sangue e a carnificina e devoravam os cadáveres no campo de batalha. Mais tarde, na era viking, tornaram-se figuras mais ou menos dignas, ocupando o lugar de princesas, envergando armaduras e montando cavalos que escoltavam para o Valhalla os guerreiros mortos, e aí os acolhiam com chifres cheios de hidromel, como se observa frequentemente nas cenas gravadas nas pedras da Gotlândia". (DAVIDSON, 1987, p. 41). 


Antes de prosseguir no assunto, devo fazer duas ressalvas: primeiro, as valquírias não apenas levavam os mortos para Valhalla, elas também encaminhavam a metade destes para o Palácio Folkvang, o qual pertencia a deusa Freya (escreve-se também Freia, Freja, Freyja, etc.), considerada a mais bela das deusas nórdicas. Freya era uma Vanir, era filha do deus do mar, Njord. Era irmã de Freyr. 


Era uma das deusas mais importantes do panteão, associada a fertilidade, sexualidade, beleza, amor, prosperidade, a natureza, a magia e a morte. Embora fosse casada, deuses, gigantes, humanos, anões e elfos a cobiçavam. Freya fizera um pacto com Odin, onde metade dos guerreiros mortos seriam conduzidos ao seu palácio. Além disso, alguns mitos contam que ela era sua amante. Contudo, os relatos sobre o Folkvang são escassos, logo, focarei em Valhalla. 


Retomando a Valhalla, quando os mortos ali chegavam, como foi dito, algumas gravuras retratavam outras valquírias lhes dando boas-vindas, oferecendo um chifre com hidromel. O uso de chifres para beber era algo comum para estes povos, embora foi associado pelo Cristianismo como um costume diabólico. 

Alguns mitos falam que além das valquírias conduzirem as almas dos mortos e os receberem em Valhalla e Folkvang, estas também se casavam com estes homens, ou se tornavam suas amantes. Outros mitos narram que algumas valquírias desciam a Midgard e de certa forma se tornavam mulheres comuns, passando a viver entre as pessoas. Na Saga dos Volsungos, se conta a história do lendário herói Sigurd (Siegfried em alemão) o qual se relacionou com uma valquíria chamada Brynhild. 

"Acreditava-se que Odin acolhia nos seus domínios os guerreiros que morressem heroicamente no campo de batalha. Todas as noites se banqueteavam com as articulações de um javali cuja carne nunca acabava, e bebiam copiosamente hidromel. O dia passava-se a lutar, mas, à noite, os que tinham caído erguiam-se de novo para tomar parte no festim". (DAVIDSON, 1987, p. 31).

A vida dos guerreiros no Valhalla e no Folkvang é um tanto peculiar. Como foi mencionado na frase acima, durante o dia, os homens treinavam e competiam em jogos de força. Como já estavam mortos, não poderiam morrer novamente. Passavam os dias assim, e durante a noite, um pomposo banquete era servido na presença do próprio Odin e de sua esposa a deusa Frigga. Homens se banqueteavam com carne de javali e hidromel. Tais homens eram chamados de einherjar. Acreditava-se que os einherjar lutassem diariamente como uma forma de aperfeiçoar suas habilidades, se preparando para o dia que se iniciaria o Ragnarök, onde os deuses, gigantes, homens e demais seres, entrariam numa terrível guerra final. 

Até aqui vimos, que a ideia de "Paraíso" para estes povos, não era um local de paz e descanso, mas um local de lutas, banquetes, glória e honra.
OBSERVAÇÃO: Esse é o primeiro dos 5, espero que tenham gostado <3 No final eu vou colocar fonte e referencias bibliográficas! Lembrando que, pode haver em alguns textos falta de um ''l'' no Valhala. O certo seria: Valhalla.

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